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Derlon Almeida
Por Franklin Cassaro, Adriana Cataldo e Renata Moreira Lima
Fotos: Marcia Kranz

Mural no segundo piso do Shopping dos Antiquários
Seus desenhos se baseiam em pessoas e lugares reais?
émais forte no meu trabalho é fugir do real. Sou um pouco inconformado sabe, (risos). Gosto de criar meu mundo mágico.
De onde veio a idéia das casinhas?
As casinhas começaram a ser criadas a partir de estudos realizados sobre ícones medievais que eu acreditava ser pertinentes ao meu trabalho. Dentro dessa pesquisa, os castelos eram algo que eu queria trabalhar mais ainda não sabia como. Depois que vi em um site de arte urbana um artista que fez uma pintura circulando um prédio como se esse prédio fosse o corpo do personagem, tive a idéia de criar as casinhas. Fiz o esboço e pedi para um marceneiro executar e depois de pronto comecei a customizá-las, pintando e dando vida, fazendo vários testes e experimentos até conseguir uma série de casinhas mais sólidas.
Se você pudesse pintar um prédio/monumento famoso, qual seria?
Não sei, nunca imaginei isso. Tenho sim vontade de pintar a fachada de um grande prédio, mas não tenho muitas preferências, poderia ser um prédio com uma bela arquitetura contemporânea.
Lado de dentro ou lado de fora?
Comecei lado de dentro, fui pra o lado de fora e voltei pra dentro. (risos).
Como foi o convite dos estúdios Walt Disney* (capa) para criar uma releitura do Mickey Mouse no estilo cordel e qual outro ou outros personagens você “cordelizaria” (http://www.disney.com.br/projetonordeste)?
ça, devido ao crescimento econômico da região, assim surgiu a idéia da Disney Brasil de trabalhar com artistas locais que tivesse alguma identidade regional. Pesquisaram alguns artistas sobre recomendações e selecionaram três, incluindo o meu trabalho, que agradou muito a eles por ser uma obra que mergulha no universo do cordel mas com um toque mais pop.
Pixação ou Graffiti?
Nada a declarar... Não sei e nem tenho interesse nesse assunto. (risos). Faço o meu.
Porque você usa nos seus trabalhos somente algumas cores básicas?
Primeiro porque as cores usadas na xilogravura popular ou cordel são basicamente primárias e assim tento me aproximar desta estética não só no traço mas também nas composições de cores... Até porque é um trabalho que explora muito o preto e branco quando entra cores básicas essas cores ganham força no trabalho. Tem impacto. Ou seja, mais do que só se aproximar do cordel essa organização de cores tem bom impacto visual, não é pesado, poluído, e é suave, de fácil comunicação.
O mural de vinte metros que você fez no segundo piso do Shopping Cidade Copacabana conta alguma história ou traz alguma mensagem?
“Mermão”, aquele painel fizemos com o objetivo de apresentar o que há de mais novo no meu trabalho, as pesquisas e estudos atuais que deram origem as novas séries de obras que estamos apresentando ao público. Trazer as influências medievais, de seres, animais mitológicos, castelos, reis e rainhas. O homem, a mulher e o pecado. E o baralho, que tenho forte influência hoje, é um jogo que ganhou força na Europa Medieval. O mais interessante no meu trabalho é que os personagens e os símbolos deste jogo representavam a sociedade e sua divisão social entre clero, nobreza, camponeses e a burguesia. Esse é o nosso mural que fizemos em Copacabana e um breve resumo do meu trabalho mais recente.
Você veio expor suas obras em Copacabana e aplicou sua arte em uma das paredes do Shopping dos Antiquários (Shopping Cidade Copacabana). O que achou do bairro?
Já tive a oportunidade de vivenciar Copacabana em várias outras vezes, sempre me sinto bem aqui. Foi um lugar que acolheu muito bem o meu trabalho... Fico grato pelo bairro e pela cidade.

O que você viu em Copacabana que nunca viu em nenhum outro lugar?
Copacabana é uma cidade dentro da cidade do Rio de Janeiro, tem vida própria. É o que mais me fascina.
A cidade conseguiu te influenciar de alguma forma?
Foi a primeira cidade que estive a trabalho fora da minha natal (Recife), lembro que foi o Gringo Cardia o primeiro carioca a acreditar no que faço. Isso me deu confiança. Com tempo pude conhecer o Rio mais profundamente, a produção cultural é intensa assim como no Recife e isso faz me sentir em casa.
Conheceu os artistas daqui?
Tenho bons amigos artistas como o Franklin Cassaro, a Marta Jourdan, o Danilo Ribeiro, a Fernanda Gomes, o Marcelo Ment e etc. Tem vários, não dá para falar todos aqui sem contar com os artistas de outras áreas, música, teatro...
Você é um jovem artista, o que tem a dizer para quem sonha com a profissão? Mande um recado para os leitores de Copacabana.
Nosso trabalho que estamos produzindo em Copacabana principalmente junto à Galeria Artur Fidalgo esta super bacana... Ainda vamos fazer muito mais. Essa exposição é uma grande oportunidade de conhecer melhor sobre o que escrevemos aqui. Acredito que encontrei o melhor lugar para minha obra e o público corresponde muito bem porque o diálogo esta cada vez melhor entre público e obra. Fiz o melhor que pude para essa exposição, garanto que não irei decepcionar, (risos).
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